Seus textos caracterizam-se pela forma áspera de descrever a realidade estonteante que o cerca, principalmente a realidade política. Não mede palavras para dizer o que pensa; embora as escolha de forma deliberadamente acertada.
Ler seus artigos é como tentar penetrar num universo denso de representações do cotidiano sob a perspectiva de alguém nada otimista.
Uma literatura que infelizmente permanece escondida. Ou pouco conhecida. Talvez para o escritor Rian isto pouco importe, mas para aqueles que assim como eu, gostam de apreciar boas leituras, não seria demasiado a indicação e sugestão de leitura. Fica um trecho como ilustração:
(...) Educado naquele ambiente besta, eu tinha tudo para me tornar um completo
idiota, mas o professor de redação tinha que me emprestar uns livros de Kafka!
Por me obrigar assim tão cedo à lucidez, nunca o perdoarei. Ele teve juízo.
Antes de cismar em publicar seus artigos aqui no Jornal do Dia, se dedicou ao
magistério e construiu uma casa, talvez tenha plantado uma árvore, exerceu sua
vocação de macho fazendo um filho. Eu não tenho direito a nada disso. Com o piso
de jornalista que ganho por esses escritos, mal alimento minha fome. Mas não
tarda o momento de minha despedida, até nunca mais.
Vou-me embora pra Pasárgada, algum boteco fedido numa viela esquisita. Lá, me tornarei amigo do
rei.
Leia na íntegra aqui.
