Por Thiago VieiraImagem: midiaindependente.org
A recente ocupação do hotel Brisa Mar, próximo à orla de Aracaju teve seu desfecho na última quarta-feira dia quatro de junho. Através de uma liminar obtida na justiça, decretou-se a reintegração de posse do prédio abandonado há mais de 22 anos. Policiais, inclusive da tropa de choque, foram mobilizados para retirar em torno de 300 famílias.
O movimento foi organizado pelo MOTU (Movimento dos Trabalhadores Urbanos) que agrupa pessoas que trabalham na informalidade ou subempregos como catadores, ambulantes e diversos moradores de rua. Também existem pessoas que não têm condição alguma de pagar aluguel e enxergam na ocupação uma possibilidade de obter a casa própria.
O hotel, construído numa das partes mais nobres da capital sergipana, foi uma iniciativa de um antigo prefeito de Aracaju com recursos da extinta SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste). Entretanto, a obra foi abandonada por suspeitas de desvio de verbas. No dia primeiro de maio, então, os participantes do movimento social ocuparam o local, fazendo-o de moradia para as dezenas de famílias que não tinham condições de moradia vivendo quase um mês.
O hotel, construído numa das partes mais nobres da capital sergipana, foi uma iniciativa de um antigo prefeito de Aracaju com recursos da extinta SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste). Entretanto, a obra foi abandonada por suspeitas de desvio de verbas. No dia primeiro de maio, então, os participantes do movimento social ocuparam o local, fazendo-o de moradia para as dezenas de famílias que não tinham condições de moradia vivendo quase um mês.
Relatos de alguns estudantes que foram nos últimos dias de ocupação contam sobre a forma com a qual a polícia foi fazer a desocupação do ambiente. Foi montado todo um forte esquema com veículos, homens e animais (cavalos e cães) para se retirar as famílias. Famílias estas que contavam com muitas mulheres grávidas e crianças. E que mesmo assim tiveram de se submeter àquela situação de possível confronto com policiais armados. As escolhas dadas eram simples: Ou vocês saem pacificamente ou saem pela maneira deles.
Obviamente, o movimento decidiu preservar todas as pessoas que não estavam preparadas para um embate de forças, deixando o prédio. Contudo, houve também um cadastramento de algumas das famílias num programa de habitação do governo.
A grande questão, no entanto, é o porquê de se usar todo esse esquema de força policial para lidar com um caso de ocupação por, sendo repetitivo, famílias? Visto que, no projeto de segurança pública, consta que a polícia deve atuar em situações de multidões e ocupações como órgão mediador de conflitos e não como um órgão intimidador e repressor. Onde se está a mediação quando se dá opções como essa? Ou quando policiais fazem ofensas (fato relatado por uma outra estudante que lá estava, mas preferiu não se identificar) a crianças?
Os movimentos sociais lutam, hoje, não só por moradia, ou seja, lá qual for sua luta. Mas sim para que eles não sejam vistos como marginais ou criminosos. Clamar pelos seus direitos perante a sociedade é quase que um dever de todo o cidadão. E o estado e a sociedade deveriam estar dispostos a ouvir esse grito e a ajudar essas pessoas. O que se vê, no entanto, é uma reprodução errónea de um lado da moeda que tende a colocar os membros desses movimentos como marginalizados ou oportunistas. O que muitas vezes é uma inverdade plantada, ou mesmo, um recorte fora de um contexto. Se um grupo ocupa um local, certamente há um contexto e uma história para aquele fato. Compreender os fatos que permeiam uma ocupação é o primeiro passo para uma nova visão não só dessas ações sociais como também de nosso papel, enquanto cidadãos.
Fonte:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/05/420392.shtml

